Como comentei ontem no blog, hoje estaríamos ministrando no culto das crianças. E para começar o dia tive que acordar cedo para passar a minha roupa. Um detalhe: a roupa não é passada no ferro elétrico e sim em um ferro com um compartimento para se colocar brasa quente ou então esquentando no fogão. Na noite anterior a minha tentativa foi frustrada, pois na hora em que passava o ferro abriu e derramou carvão na minha camisa. Então tive que pegar outra para passar logo pela manhã. No momento em que seguiria para “via cruci” do ferro o André me disse que tínhamos apenas quinze minutos para se arrumar, pois o carro que iria nos buscar em pouco tempo já estaria no ponto que foi determinado. Só uma explicação, só viemos saber que a programação estava confirmada poucos dias atrás e o horário que iriam nos buscar seria às 8 e só hoje descobrimos que nos buscariam às 7. O culto na igreja congregacional se iniciaria às 7:30, mas depois de tanta correria, abotoando a camisa amassada no caminho e sem tomar café, chegamos no horário, mas o culto só se iniciou às 8:15. E para completar tive que ir de roupa social, coisa que eu não gosto. O culto se iniciou com um grande coral cantando para a igreja de 1.500 membros aproximadamente, mas a congregação era diferente da última igreja que fomos. A dinâmica do culto já era mais formal com momentos para se sentar e outros para cantar comportadamente. Participamos da introdução do culto, que no dia de hoje era especial por se comemorar o dia da reforma protestante, e seguimos para culto infantil onde faríamos uma apresentação com fantoches. Iríamos usar todos os personagens (Melissa, Maneco, Leka e Fred), mas por fim eu fiquei como o animador da criançada e a Jessica interpretando a Melissa. Ao chegar ainda ficamos uns 30 minutos para os líderes organizarem a sala onde as crianças ficariam como também nos auxiliariam para conseguirmos organizar o cenário para o fantoche. Por fim fomos para uma sala que cabiam vinte crianças que por fim tinham cento e cinqüenta. Não tinha mais espaço para colocar mais crianças. Gritei tanto que a veia do meu pescoço estava quase estourando. Na conclusão final foi um trabalho muito produtivo e as crianças fixaram bem o tema que foi obediência. O que mais me chamou a atenção foi que o culto infantil de lá é um culto. Tem ofertório e tudo!
No término do culto eu e André fomos para a base de Benguela para ajudarmos no ensaio do louvor do AdoraCamp que se realizará no próximo fim de semana. Jessica resolveu tirar a tarde para descansar. Antes, fizemos uma parada no supermercado para um lanche-almoço. Depois de tantas possibilidades acabamos comprando sanduiches, batata-frita, frango assado e suco, ou seja, tudo saudável (rs). E como aqui em Angola não existe praça de alimentação sentamos no chão e comemos tranquilamente enquanto as pessoas passavam e olhavam para nós como se fôssemos um monumento artístico.
Fomos para a base bem mais cedo do que o combinado. E o calor estava forte. E como fomos direto da igreja colocamos nas nossas mochilas roupas leves. Quando chegamos à base fomos logo tomar uma chuveirada. O banheiro simplesmente era a céu aberto com apenas duas paredes entre o chuveiro. Deitamos nos chão para descansar um pouco (apesar do medo, já que essa base tem um número grande de escorpiões e dizem que de vez em quando aparece cobra venenosa).
Às 14:30, Julia, responsável pelo louvor e líder do acampamento que acontecerá no sábado ficou conversando conosco. Contou das suas experiência no Brasil e como sua visão sobre adoração foi mudada depois de descobrir que adoração não era um ritmo e sim um estilo de vida. Tecnicamente o ensaio começaria às 15:00, mas por fim as pessoas que tinham que vir chegaram às 16:00. Um problema no som adiou por mais trinta minutos nos levando a iniciar às 16:30. Nós tínhamos que sair às 17:00 já que estávamos sozinhos e no domingo o número de transportes diminui bastante.
No ensaio pude ver a necessidade que os angolanos têm para se profissionalizar em um instrumento. Não existem escolas de música aqui nem ministro de música qualificado nas igrejas. Então muitos tocam com o pouco que sabem. A Julia ainda colocou duas músicas novas para cantar no acampamento que começará na sexta. Ajudamos com o pouco que sabíamos e logo tivemos que ir embora. Veremos o resultado do que dará na sexta que se iniciará o acampamento. Eu, André e Jessica estaremos indo para lá só retornando no domingo e ainda estaremos ministrando temas específicos sobre o tema “Nunca pare de adorar”.
A cada domingo que passa me espanto com a necessidade desse país. O que para nós é algo normal para eles se torna uma necessidade muito grande. Sem contar grande parte do que é feito nas igrejas é elaborado em cima da hora, quando não atrasados.
Temos que mudar essa situação...
domingo, 31 de outubro de 2010
30/10/10 Dia repleto
O dia foi tão repleto que já são 22:50, o gerador já foi desligado e eu aqui com o meu computador ligado aproveitando o pouco de bateria que ainda tem para poder registrar os acontecimentos do dia. Com muito agradecimento a Deus acordei às 8:30 depois de uma noite tranqüila de sono. No café da manhã (com pão e manteiga!) o Marcos nos relatou como a sua noite de sono foi difícil com o rato tentando invadir o seu quarto. Se no dia anterior ele bateu na porta, nesta noite ele tentou invadir roendo a porta e fazendo um grande buraco. No fim quando já estávamos indo para arrumar os nossos quartos a Vivis perguntou se queríamos ir a praia com eles. Largamos tudo o que tínhamos para fazer e prontamente colocamos o filtro solar a postos, óculos escuros e água nas garrafinhas e seguimos a caminho da praia. Na saída da base vimos o Sôba (feiticeiro) da região. Ele está querendo nos conhecer e prometeu uma visita (amigos, orem!)
Antes de irmos para praia passamos no supermercado para comprarmos os ingredientes para fazermos sanduíches. O que era para durar quinze minutos acabou levando uma hora para comprarmos o que era necessidade pessoal para cada um como também esperar a Jessica que entrou na imensa fila do pão e ainda teve que assistir as discussões que iam surgindo na espera para chegar a sua vez. Juntamos tudo na mala da praia e seguimos rumo ao nosso destino. Depois que soubemos que “farofar” é algo legal aqui compramos tudo que tínhamos direito para um bom lanche.
É engraçado ver que em um dia de sol as praias aqui não enchem como é normal no Brasil. São poucos os angolanos que deixam a sua casa para curtir o sol e tomar banho no mar. Foi um tempo muito bom para nos distrair, conversar e ri. Uma situação engraçada que nos aconteceu foi no momento em que eu e André estávamos conversando com a Jessica e de repente chegou uma angolana que começou a se exibir para a gente fazendo poses e caras e inclusive mostrando os seios... Essas coisas você só encontra aqui em Angola.
Saindo de lá fomos para a casa de um pastor brasileiro e descendente de alemão que vive aqui há oito anos. Conversamos bastante sobre as experiências que ele e a esposa passaram por aqui. Algumas semelhantes pela qual estamos passando e eles com sua experiência nos desafiaram a prosseguir com o nosso chamado como com o trabalho que temos desenvolvido aqui.
Uma das experiências que ele relatou foi que algum tempo atrás todos da sua família caiam doente ou sempre estava acontecendo alguma coisa sempre em seqüência. Sua esposa fez a seguinte oração: que a vida deles fossem como um espelho. Que tudo que não fosse da parte de Deus fosse lançado sobre suas vidas, voltasse. Com o tempo tudo se normalizou e tempo depois vieram a descobrir que uma dirigente da igreja começou a acontecer diversas situações com ela, as mesmas que eles viviam. Mais tarde vieram a descobrir que ela era uma feiticeira que estava fazendo trabalho contra a vida deles.
Outra situação que eles nos passaram foi da carência de literatura que os angolanos tem, principalmente de bíblias. Ele tem uma distribuidora que manda livros e bíblias do Brasil que mesmo com o grande número que é importado não supre a carência das livrarias evangélicas de Angola. E muitos livros não se encaixam na realidade do país. Por exemplo: nenhum de livros com temas familiares fala sobre poligamia, situações que acontecem dentro da igreja daqui. Outra dificuldade são os temas relacionados à cultura e que estão contra a bíblia como exemplo em muitas famílias quando uma pessoa morre os demais familiares acreditam que ele ainda continua vivo em espírito. Logo, separa um lugar a mesa e sempre falam no individuo como se este ainda estivesse vivo.
Bom, amanhã estaremos ministrar para crianças na igreja congragacional e assim que terminar estarei aqui no Blog para contar as novidades.
Até mais!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
29/10/10 Agradecendo a D'us
Sexta! O meu corpo se sente muito cansado. Parece que a fadiga de toda a semana se juntou e caiu em cima de mim hoje. Em compensação o sentimento de dever cumprido se faz presente. Foi bem produtiva a semana com as crianças. Concluímos os ensaios e já avançamos mais quatro letras do alfabeto. A apresentação que teríamos amanhã foi cancelada, contudo apresentaremos a canção na nossa festa de fim de ano.
As crianças tem se comportado bem. Depois do dia que a Jess expulsou todos da sala de aula elas estão bem mais tranqüilas depois que o Marcos e a Vivis chamou a atenção deles. Agora estão super amorosas. Pela manhã tinha tanta criança me abraçando que eu quase fiquei sem calças. Sem contar que eles vem cheia de catarro no nariz. Se um dia eu quis ser um “mauricinho” isso já se foi.
Por outro lado as minhas noites foram bem tranqüilas. Cada noite uma oração, cada manhã um agradecimento. Jessica também conseguiu descansar em suas noites. O problema agora é que o rato tem tentado entrar durante a madrugada no quarto da Viviane e do Marcos. Só que dessa vez ele tem sido educado fazendo barulho na porta como se quisesse a permissão para entrar.
Outra boa notícia é que a água encanada está chegando ao bairro e existe uma grande possibilidade dela chegar ao lugar onde estamos. Basta orarmos para que esse milagre aconteça.
Benção também foi o caminhão pipa estar trazendo a água no prazo estipulado evitando as longas caminhadas que temos que fazer para ir ao poço e conseguir um balde de água para tomar banho.
Não posso deixar de agradecer a Deus pelo trabalho de comunicação que estamos desenvolvendo. Segunda-feira já estará na internet as fotos das crianças para a adoção de fim de ano. Ganhamos do pai do André o domínio e a hospedagem para construirmos o primeiro site da base ajudando na informação dos trabalhos desenvolvidos como na divulgação da ETED (escola de Treinamento de discipulado) que se iniciará no ano que vem.
Enfim só posso dizer “Ebenezer”- até aqui nos ajudou o Senhor. Agradecer a Deus por aquilo que ele tem feito por mim, pelas suas misericórdias que se renovam. Teria algumas preocupações para descrever, mas o número de benção que geram agradecimentos tem sido maior, muito maior.
As crianças tem se comportado bem. Depois do dia que a Jess expulsou todos da sala de aula elas estão bem mais tranqüilas depois que o Marcos e a Vivis chamou a atenção deles. Agora estão super amorosas. Pela manhã tinha tanta criança me abraçando que eu quase fiquei sem calças. Sem contar que eles vem cheia de catarro no nariz. Se um dia eu quis ser um “mauricinho” isso já se foi.
Por outro lado as minhas noites foram bem tranqüilas. Cada noite uma oração, cada manhã um agradecimento. Jessica também conseguiu descansar em suas noites. O problema agora é que o rato tem tentado entrar durante a madrugada no quarto da Viviane e do Marcos. Só que dessa vez ele tem sido educado fazendo barulho na porta como se quisesse a permissão para entrar.
Outra boa notícia é que a água encanada está chegando ao bairro e existe uma grande possibilidade dela chegar ao lugar onde estamos. Basta orarmos para que esse milagre aconteça.
Benção também foi o caminhão pipa estar trazendo a água no prazo estipulado evitando as longas caminhadas que temos que fazer para ir ao poço e conseguir um balde de água para tomar banho.
Não posso deixar de agradecer a Deus pelo trabalho de comunicação que estamos desenvolvendo. Segunda-feira já estará na internet as fotos das crianças para a adoção de fim de ano. Ganhamos do pai do André o domínio e a hospedagem para construirmos o primeiro site da base ajudando na informação dos trabalhos desenvolvidos como na divulgação da ETED (escola de Treinamento de discipulado) que se iniciará no ano que vem.
Enfim só posso dizer “Ebenezer”- até aqui nos ajudou o Senhor. Agradecer a Deus por aquilo que ele tem feito por mim, pelas suas misericórdias que se renovam. Teria algumas preocupações para descrever, mas o número de benção que geram agradecimentos tem sido maior, muito maior.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
28/10/10 O espelho da graça
Desculpe se com essa palavra irei te decepcionar, mas eu tenho que falar, escrever e deixar que isso se torne claro: eu não sou perfeito. Tenho erros e falhas. Me iro, sou egoísta de vez em quando, não tenho paciência em alguns momentos, me irrito com as pessoas que estão a minha volta. Sim, mesmo estando em Angola, convivendo em um lar cristão, freqüentando escola bíblica desde a minha infância ainda sim continuo falho. E mesmo que trabalhe nas áreas que estão deficientes na minha vida outras surgirão e terei que novamente passar pelo vale sombrio da aprendizagem. E não gosto quando me falam que sou santo porque em algum lugar do meu passado eu nunca me droguei, fiz sexo loucamente com diversas mulheres ou usurpei muito dinheiro de quem merecia. Eu não fiz nada disso, mas isso não me exime de estar no pódio dos pecadores. Sou pecador e em certos momentos sinto uma ponta de orgulho dessa situação. Justamente porque na hora em que me chego a Deus ele sempre vem com o espelho da graça e me mostra quem sou: de que sou digno de sua graça, que minha obras não me salvam, que a imagem de santinho não me levará ao céu. O espelho da graça me mostra que a cada manhã preciso de Deus, da sua misericórdia e cada passo do meu viver preciso da sua orientação na estrada da vida que está cheia de minas onde um passo em falso pode custar a minha alma.
No último mês ganhei do meu irmão um livro chamado “ortodoxia” do escritor inglês G.K Chesterton. Uma obra por vezes até difícil de se entender por ser complexa demais. Em uma das experiências desse autor um grande jornal da época decidiu mandar a seguinte pergunta a grandes intelectuais da sociedade: “Qual o problema do mundo?”. Enquanto muitos se espelhavam na cientificidade da sua mente e criaram muitas linhas para explicar os possíveis problemas do mundo, Chesterton apenas respondeu: “eu”. O problema de um mundo caótico sempre esteve no homem e por um outro lado a solução se encontra em um homem: Jesus. Se por um homem o pecado entrou por um homem essa graça nos alcançou.
Enquanto muitos de nós queremos culpar o próximo com as nossas mãos abarrotadas de tantas pedras, Jesus quer nos ensinar a olhar para nós mesmos e ver o quanto somos sujos e nada podemos. A adúltera não negou a sua condição, quando todos foram embora, nem muito menos se justificou. O seu silêncio denunciava a sua condição. Do outro lado da linha que separava a legalidade da graça os homens cheios de si saíram sem nada fazer e ainda envergonhados da sua situação. Quem assumiu o seu pecado encontrou a graça.
Eu lembro que quando a televisão de alta definição chegou ao Brasil as grandes redes televisivas tiveram que mudar a sua maneira de gravação já que a alta qualidade denunciaria o que era falso de objetos como as imperfeições dos rostos dos atores. Sempre ouvimos na benção apostólica “Que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti”. Muitas das vezes o pecado usa uma maquiagem criando uma condição de quem não somos. E quando fazemos essa oração a alta definição de Deus nos mostra todas as nossa imperfeições nos levando a uma condição de ser igual a ele. E como se Deus comparasse a sua perfeição com a nossa e fizesse a seguinte pergunta: “O meu desejo é que você fique como eu. Será que você pode ser como eu quero?”
Sou pecador e não nego a minha condição porque sei que existe um Deus que me transforma.
Até amanhã.
No último mês ganhei do meu irmão um livro chamado “ortodoxia” do escritor inglês G.K Chesterton. Uma obra por vezes até difícil de se entender por ser complexa demais. Em uma das experiências desse autor um grande jornal da época decidiu mandar a seguinte pergunta a grandes intelectuais da sociedade: “Qual o problema do mundo?”. Enquanto muitos se espelhavam na cientificidade da sua mente e criaram muitas linhas para explicar os possíveis problemas do mundo, Chesterton apenas respondeu: “eu”. O problema de um mundo caótico sempre esteve no homem e por um outro lado a solução se encontra em um homem: Jesus. Se por um homem o pecado entrou por um homem essa graça nos alcançou.
Enquanto muitos de nós queremos culpar o próximo com as nossas mãos abarrotadas de tantas pedras, Jesus quer nos ensinar a olhar para nós mesmos e ver o quanto somos sujos e nada podemos. A adúltera não negou a sua condição, quando todos foram embora, nem muito menos se justificou. O seu silêncio denunciava a sua condição. Do outro lado da linha que separava a legalidade da graça os homens cheios de si saíram sem nada fazer e ainda envergonhados da sua situação. Quem assumiu o seu pecado encontrou a graça.
Eu lembro que quando a televisão de alta definição chegou ao Brasil as grandes redes televisivas tiveram que mudar a sua maneira de gravação já que a alta qualidade denunciaria o que era falso de objetos como as imperfeições dos rostos dos atores. Sempre ouvimos na benção apostólica “Que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti”. Muitas das vezes o pecado usa uma maquiagem criando uma condição de quem não somos. E quando fazemos essa oração a alta definição de Deus nos mostra todas as nossa imperfeições nos levando a uma condição de ser igual a ele. E como se Deus comparasse a sua perfeição com a nossa e fizesse a seguinte pergunta: “O meu desejo é que você fique como eu. Será que você pode ser como eu quero?”
Sou pecador e não nego a minha condição porque sei que existe um Deus que me transforma.
Até amanhã.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
27/10/10 Como os nossos pais
Sabe aqueles dias em que você não sabe o que vai escrever, que o poço da sua inspiração está seco e sem nenhuma gota para oferecer. Estou assim hoje. Eu queria poder escrever sobre muitos assuntos, mas não estou motivado. Não que nesse dia não tenha acontecido nada de relevante. Todo dia aqui em Angola é relevante. Hoje, por exemplo, pela manhã não tivemos atividades já que o André teve que fotografar as duas turmas e depois todas as crianças. Foi trabalhoso ter que juntar todas em posição e ainda mantê-las quietas sob um sol forte. Em breve vocês poderão conhecê-las por foto. O trabalho das fotos está de ótima qualidade. Temos visto Deus agir muito nas nossas vidas e nos capacitando para cumprir essa obra.
Hoje à tarde, eu e Jessica fomos sozinhos para ensaiar as crianças. A música está ficando muito bonita e a Jessica tem se dado muito bem como regente (seguindo os passos da mãe). E sempre que alguém que não está se comportando bem ela logo manda para casa. Então todos os dias é normal ver dois ou três indo embora por bagunçarem. Hoje não foram dois ou três e sim todos! Eles estavam super agitados e estava quase impossível de controlá-los. Então a Jessica decidiu mandar todos para casa e encerrar as atividades mais cedo.Dava para ver o medo no rosto delas por pensarem que não iríamos voltar nunca mais. Foi engraçado ver a cena... mas elas hoje superaram em relação ao comportamento. Cremos que amanhã estarão mais calmas.
Essa semana tenho refletindo no seguinte... como os pais nos influenciam. Vendo o André pregando, Jessica dirigindo 80 vozes infantis, eu trabalhando com o ensino. De onde veio esses talentos a não ser de dentro da nossa própria casa? Pais que influenciaram os seus filhos e que inconscientemente ou conscientemente decidem por seguir os passos dos pais. Pai e mãe que pagaram um alto preço para que instruíssem os seus filhos no caminho do Senhor lutando para conciliar suas atividades seculares, igreja e família. Nossos chamados não começaram aqui, começou há muito tempo atrás quando ainda pequenos fomos evangelizados por esses grandões que ainda hoje arrancam de nós suspiros de admiração. Sim, porque o amor por missões nasce em nosso lar com pais que ensinam os seus filhos no caminho em que devem andar e filhos que honram os seus pais. Não adianta querer ganhar o mundo se o ninho de onde viemos está definhando. Eu dou graças a Deus pelos pais que tenho, pelos pais do André e da Jessica que diante de tantas dificuldades souberam priorizar o maior patrimônio que é a família. Diante de tempos de destruição de lares e troca de valores ainda é possível dizer: vale a pena investir na família. Vemos que a base de uma sociedade sadia e próspera está na família.
Então para você que me lê e que talvez seu chamado não seja ter uma experiência transcultural saiba que você tem, assim como todos os cristãos, um chamado para evangelizar, amar e cuidar do nosso lar. Esse é o nosso primeiro campo missionário. E que grande missão! Porque é na nossa casa que o irmão conhece o ponto fraco do outro, que o pai nem sempre será sorriso, que mãe erra ou que nem sempre vamos manter uma aparência perfeita, mas é em nossa casa que Deus nos capacita.
Hoje à tarde, eu e Jessica fomos sozinhos para ensaiar as crianças. A música está ficando muito bonita e a Jessica tem se dado muito bem como regente (seguindo os passos da mãe). E sempre que alguém que não está se comportando bem ela logo manda para casa. Então todos os dias é normal ver dois ou três indo embora por bagunçarem. Hoje não foram dois ou três e sim todos! Eles estavam super agitados e estava quase impossível de controlá-los. Então a Jessica decidiu mandar todos para casa e encerrar as atividades mais cedo.Dava para ver o medo no rosto delas por pensarem que não iríamos voltar nunca mais. Foi engraçado ver a cena... mas elas hoje superaram em relação ao comportamento. Cremos que amanhã estarão mais calmas.
Essa semana tenho refletindo no seguinte... como os pais nos influenciam. Vendo o André pregando, Jessica dirigindo 80 vozes infantis, eu trabalhando com o ensino. De onde veio esses talentos a não ser de dentro da nossa própria casa? Pais que influenciaram os seus filhos e que inconscientemente ou conscientemente decidem por seguir os passos dos pais. Pai e mãe que pagaram um alto preço para que instruíssem os seus filhos no caminho do Senhor lutando para conciliar suas atividades seculares, igreja e família. Nossos chamados não começaram aqui, começou há muito tempo atrás quando ainda pequenos fomos evangelizados por esses grandões que ainda hoje arrancam de nós suspiros de admiração. Sim, porque o amor por missões nasce em nosso lar com pais que ensinam os seus filhos no caminho em que devem andar e filhos que honram os seus pais. Não adianta querer ganhar o mundo se o ninho de onde viemos está definhando. Eu dou graças a Deus pelos pais que tenho, pelos pais do André e da Jessica que diante de tantas dificuldades souberam priorizar o maior patrimônio que é a família. Diante de tempos de destruição de lares e troca de valores ainda é possível dizer: vale a pena investir na família. Vemos que a base de uma sociedade sadia e próspera está na família.
Então para você que me lê e que talvez seu chamado não seja ter uma experiência transcultural saiba que você tem, assim como todos os cristãos, um chamado para evangelizar, amar e cuidar do nosso lar. Esse é o nosso primeiro campo missionário. E que grande missão! Porque é na nossa casa que o irmão conhece o ponto fraco do outro, que o pai nem sempre será sorriso, que mãe erra ou que nem sempre vamos manter uma aparência perfeita, mas é em nossa casa que Deus nos capacita.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
26/10/10 Muita coisa!
Ontem foi o aniversário da Dionísia, uma adolescente que mora aqui conosco e que completou 16 anos. Dionísia mora aqui na base há oito anos junto com o seu irmão, conhecido por nós como Jojo. Veio para Benguela para poder estudar já que na aldeia em que morava não teria essa oportunidade, mas está sem estudar desde o ano passado por problemas de documentos- boa parte dos adolescentes e crianças estão impedidas de estudar por esse motivo- apesar de estar sem estudar se dedica muito na leitura(assim que cheguei emprestei um livro para ela que leu em apenas 5 dias) e é muito competente nos afazeres do lar. É ela quem cozinha para nós e fica responsável pela organização da casa. Como boa parte dos que moram aqui boa parte deles nunca tiveram uma comemoração de aniversário, então nos juntamos para fazermos um jantar especial e comprarmos gasosa. A responsável da cozinha no dia de ontem foi Jessica que fez um prato típico do Brasil, strogonoff. Tivemos um pouco de dificuldade para encontrar o creme de leite, mas depois de procurar, encontramos. No momento em que a Jessica estava na cozinha eu e André planejamos de jogar água na Dionísia e no Jorge, já que no seu aniversário há duas semana atrás, não fizemos. E conseguimos executar o nosso plano deixando os dois ensopados de tanta água. Aqui em Angola é tradição no dia do aniversário jogar água na pessoa, assim como no Brasil jogamos ovos. Montamos uma mesa, oramos e depois nos fartamos de muita comida. A alegria no rosto da Dionísia era nítida e nós ficamos muito gratos a Deus por ter proporcionado um dia especial para ela.
Hoje de manhã, depois de uma noite de sono tranqüila, soube pela Jessica que ela não dormiu nada essa noite. Ele, o destruidor de sonos, o pior dos bichos, desgraçado, o irritante rato não permitiu que ela dormisse fazendo um enorme barulho no seu quarto a impedindo de descansar. Temos percebido que isso tem sido algo espiritual já que temos enfrentado muitas batalhas nesse sentido.
Com as criança foi tudo muito tranquilo. Nos dividimos em três grupos. Eu e Viviane ficamos com a responsabilidade da alfabetização, Jessica com o ensaio da música e o André com a fotografia dos pequenos. No sábado teremos uma programação com todas elas em um estádio do bairro onde todas as crianças das escolas da região farão uma apresentação e as crianças do projeto estarão lá para apresentar uma música. Por um outro lado essa semana o André estará terminando de fotografar todas as crianças para podermos conseguir no Brasil padrinhos para a festa de fim de ano. Creio que até sexta-feira estaremos usando sites de relacionamentos, fotolog, blog (como o meu) e o email para conseguirmos voluntários que adotem financeiramente uma criança e tornar o fim de ano delas mais feliz. Apesar do nosso tempo aqui ser curto queremos aproveitar o máximo para pelo menos mudarmos um pouco a situação deles. Outra coisa que tenho orado é para que Deus dê uma estratégia de ensino, estruturando o horário e criando atividades complementares para auxiliarem no ensino deles. Já que o ano está acabando queremos pelo menos deixarmos um projeto pronto para que o ano que vem seja executado. Apesar do planejamento que fazemos dia-a-dia feito não conseguimos atender a todas as necessidades educativas das crianças, já que cada um está em uma fase diferente de aprendizagem e como só temos duas salas não conseguimos separá-las cada uma no seu nível.
Quando terminamos o primeiro turno e estávamos já em casa a Viviane me chamou e pediu para ajudar a carregar os sacos de cimento que haviam chegado para a construção das novas salas de aula. Apesar de estar um pouco indisposto (fuso horário, rs) fui lá. Quando cheguei, um caminhão estava estacionado com 150 sacos de cimento, totalizando 7,5 toneladas e apenas cinco homens para carregar tudo isso. Ou eu voltava ou entrava de cabeça. Elegi a última opção e cai dentro do trabalho carregando para uma das salas os sacos de cimento. Depois de uma hora estávamos todos exaustos e cinza parecendo uma estátua de tanto cimento que havia caído em cima de nós. Principio número 1 de um missionário: seja como Bombril, 1001 utilidades.
Hoje de manhã, depois de uma noite de sono tranqüila, soube pela Jessica que ela não dormiu nada essa noite. Ele, o destruidor de sonos, o pior dos bichos, desgraçado, o irritante rato não permitiu que ela dormisse fazendo um enorme barulho no seu quarto a impedindo de descansar. Temos percebido que isso tem sido algo espiritual já que temos enfrentado muitas batalhas nesse sentido.
Com as criança foi tudo muito tranquilo. Nos dividimos em três grupos. Eu e Viviane ficamos com a responsabilidade da alfabetização, Jessica com o ensaio da música e o André com a fotografia dos pequenos. No sábado teremos uma programação com todas elas em um estádio do bairro onde todas as crianças das escolas da região farão uma apresentação e as crianças do projeto estarão lá para apresentar uma música. Por um outro lado essa semana o André estará terminando de fotografar todas as crianças para podermos conseguir no Brasil padrinhos para a festa de fim de ano. Creio que até sexta-feira estaremos usando sites de relacionamentos, fotolog, blog (como o meu) e o email para conseguirmos voluntários que adotem financeiramente uma criança e tornar o fim de ano delas mais feliz. Apesar do nosso tempo aqui ser curto queremos aproveitar o máximo para pelo menos mudarmos um pouco a situação deles. Outra coisa que tenho orado é para que Deus dê uma estratégia de ensino, estruturando o horário e criando atividades complementares para auxiliarem no ensino deles. Já que o ano está acabando queremos pelo menos deixarmos um projeto pronto para que o ano que vem seja executado. Apesar do planejamento que fazemos dia-a-dia feito não conseguimos atender a todas as necessidades educativas das crianças, já que cada um está em uma fase diferente de aprendizagem e como só temos duas salas não conseguimos separá-las cada uma no seu nível.
Quando terminamos o primeiro turno e estávamos já em casa a Viviane me chamou e pediu para ajudar a carregar os sacos de cimento que haviam chegado para a construção das novas salas de aula. Apesar de estar um pouco indisposto (fuso horário, rs) fui lá. Quando cheguei, um caminhão estava estacionado com 150 sacos de cimento, totalizando 7,5 toneladas e apenas cinco homens para carregar tudo isso. Ou eu voltava ou entrava de cabeça. Elegi a última opção e cai dentro do trabalho carregando para uma das salas os sacos de cimento. Depois de uma hora estávamos todos exaustos e cinza parecendo uma estátua de tanto cimento que havia caído em cima de nós. Principio número 1 de um missionário: seja como Bombril, 1001 utilidades.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
25/10/10
Depois do email do meu pai de ontem fiquei impossibilitado de escrever já que eu queria curtir um pouco as palavras que ele me escreveu... e chorar também, pois é, estar fora do seu país faz você ficar um pouco carente. Conseqüência disso foi que acumulei muito assunto e tenho que resumir ao máximo como foi o dia de ontem e como está sendo hoje.
À CAMINHO
Como eu disse no sábado fomos convidados para ministrar na Assembléia de Deus. Acordamos cedo nos arrumamos e fomos para o nosso destino. Agora não necessitamos mais pegar táxi nem van para ir para a Igreja já que um dos líderes de outra base daqui de Angola foi para o Brasil e deixou o seu carro sob a responsabilidade do Marcos. Indo para lá, fiquei com o meu coração bem apertado pois mais uma vez tive que conviver com a imagem de nós indo para a igreja enquanto os adolescentes da casa ficam a olhar para nós irem para igreja. Eles não podem ir já que fica muito distante a igreja mais próxima e eles amam ir para a igreja. Ontem a noite eu perguntei ao Nelson há quanto tempo ele não vai para a igreja e ele me disse com um olhar triste “há um ano”. É triste ver quantas pessoas que lançam fora essa oportunidade enquanto outras valorizam, mas não tem oportunidade de realizar. Dentro do carro, sob a poeira da estrada me questionei a Deus o porquê dessa situação. Como eu escrevi na última semana eu não posso fechar os meus olhos para isso e me regozijar com o meu bem estar já que não preciso ter o trabalho de andar ou pegar um táxi. Justiça no original hebraico significa “tsédek” que traduzindo ao pé da letra é “tudo na posição correta”. Olhando para essa situação vejo que isto está na posição errada e nós como agentes de transformação precisamos mudar esse quadro. Deus conta comigo para mudar essa situação, conta com você.
UM DIA DE FAROFEIRO
O culto foi uma benção. Encenamos uma pantomima (peça apenas com gesto e com um fundo musical) e logo o André pregou. Para quem disse que não era o seu forte e dizia estar nervoso, ele foi muito bem. Como eu digo “André esconde o jogo”. Foi uma palavra pregada com ousadia e que se encaixava com que a igreja precisava.
Após o término do culto e uma longa espera do lado de fora, fomos direto para praia onde iríamos almoçar e logo depois teríamos um tempo de lazer com os membros da igreja. Foi engraçado me acostumar com a idéia de almoçar na praia já que para nós brasileiros é ser considerado “farofeiro”. Aqui em Angola se é farofeiro é porque tem boas condições financeiras para se fazer uma refeição. Toalhas estendidas, pratos a postos, e panelas a espera. Tinha muita comida. Pegamos de tudo um pouco como nos foi aconselhado no dia anterior. Já que aqui em um almoço diante de uma visita é bom repetir a refeição mais de uma vez e comer de tudo um pouco.
Logo após, eu, como um bom carioca, não pude deixar de aproveitar o mar. Conversamos com muitos angolanos e tomamos muita coca-cola. Para completar ainda levamos uns salgadinhos e bolo para o café (essa é uma atitude de um farofeiro nato).
Para terminar eu queria que você que tem nos acompanhado que orasse por nós e pelas crianças do projeto. Temos enfrentado muitas lutas espirituais e precisamos de oração para que Deus possa nos ajudar.
À CAMINHO
Como eu disse no sábado fomos convidados para ministrar na Assembléia de Deus. Acordamos cedo nos arrumamos e fomos para o nosso destino. Agora não necessitamos mais pegar táxi nem van para ir para a Igreja já que um dos líderes de outra base daqui de Angola foi para o Brasil e deixou o seu carro sob a responsabilidade do Marcos. Indo para lá, fiquei com o meu coração bem apertado pois mais uma vez tive que conviver com a imagem de nós indo para a igreja enquanto os adolescentes da casa ficam a olhar para nós irem para igreja. Eles não podem ir já que fica muito distante a igreja mais próxima e eles amam ir para a igreja. Ontem a noite eu perguntei ao Nelson há quanto tempo ele não vai para a igreja e ele me disse com um olhar triste “há um ano”. É triste ver quantas pessoas que lançam fora essa oportunidade enquanto outras valorizam, mas não tem oportunidade de realizar. Dentro do carro, sob a poeira da estrada me questionei a Deus o porquê dessa situação. Como eu escrevi na última semana eu não posso fechar os meus olhos para isso e me regozijar com o meu bem estar já que não preciso ter o trabalho de andar ou pegar um táxi. Justiça no original hebraico significa “tsédek” que traduzindo ao pé da letra é “tudo na posição correta”. Olhando para essa situação vejo que isto está na posição errada e nós como agentes de transformação precisamos mudar esse quadro. Deus conta comigo para mudar essa situação, conta com você.
UM DIA DE FAROFEIRO
O culto foi uma benção. Encenamos uma pantomima (peça apenas com gesto e com um fundo musical) e logo o André pregou. Para quem disse que não era o seu forte e dizia estar nervoso, ele foi muito bem. Como eu digo “André esconde o jogo”. Foi uma palavra pregada com ousadia e que se encaixava com que a igreja precisava.
Após o término do culto e uma longa espera do lado de fora, fomos direto para praia onde iríamos almoçar e logo depois teríamos um tempo de lazer com os membros da igreja. Foi engraçado me acostumar com a idéia de almoçar na praia já que para nós brasileiros é ser considerado “farofeiro”. Aqui em Angola se é farofeiro é porque tem boas condições financeiras para se fazer uma refeição. Toalhas estendidas, pratos a postos, e panelas a espera. Tinha muita comida. Pegamos de tudo um pouco como nos foi aconselhado no dia anterior. Já que aqui em um almoço diante de uma visita é bom repetir a refeição mais de uma vez e comer de tudo um pouco.
Logo após, eu, como um bom carioca, não pude deixar de aproveitar o mar. Conversamos com muitos angolanos e tomamos muita coca-cola. Para completar ainda levamos uns salgadinhos e bolo para o café (essa é uma atitude de um farofeiro nato).
Para terminar eu queria que você que tem nos acompanhado que orasse por nós e pelas crianças do projeto. Temos enfrentado muitas lutas espirituais e precisamos de oração para que Deus possa nos ajudar.
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